Certa vez, após um almoço na saudosa Churrascaria Floripana, na avenida Beira-Mar Norte, em Florianópolis, um amigo me qualificou como O Maior Predador da Terra. “Foi bonito de ver ele comer, era uma verdadeira máquina”, afirmou o conviva, após degustarmos o rodízio de carnes e massas da casa.
Por muitos anos, essa fama me perseguiu. Vieram novas grandes atuações em outras churrascarias, festivais de sushi e rodízios de pizza. Eu nem sempre queria comer muito, mas sentia a pressão de fazer jus ao título e cumprir as expectativas dos amigos.
Era uma época em que eu corria 10 quilômetros por dia, então queimava todas as calorias consumidas. Eu tinha vinte e poucos anos, então estômago, intestino e fígado estavam no auge de suas carreiras.
O tempo passou e fui deixando de lado essas orgias gastronômicas. Nesta semana, porém, recebi o convite de um grande amigo para conhecer um ícone de São Paulo: o rodízio de carnes do Barbacoa, no Itaim Bibi. Aceitei, crente que a memória muscular do meu sistema digestivo daria conta do enorme desafio.
Eu já fui O Maior Predador da Terra, afinal.


Churrascaria Barbacoa, um ícone de São Paulo
Para comer no Barbacoa não basta só chegar lá. O restaurante abre ao meio-dia em ponto, mas é preciso estar lá cerca de meia hora antes para pegar uma senha e afastar o risco de ficar na fila de espera. O horário de funcionamento vai apenas até as 15h, então você não vai querer ter que entrar mais tarde e comer com pressa.
O atendimento é elegante, sem exageros. Os garçons circulam com agilidade, oferecendo os cortes selecionados pela casa, que são os seguintes:
- Picanha (de bola, nobre, bife de tira e com alho)
- Alcatra
- Fraldinha
- Cupim
- Costela (premium, janela e assado de tira)
- Bife ancho
- Barriga de porco à pururuca
- Cordeiro (costeleta, t-bone e paleta)
- Galeto desossado
São oferecidos ainda acompanhamentos como arrozes de vários tipos, farofas, batatas fritas, polentas e onion rings, além de linguicinhas, coração e coxas de frango. Para arrematar, uma fantástica mesa de saladas e frios, com direito a atum selado e diversos tipos de queijos.
Considerando que vai precisar de ao menos duas Coca-Colas para enxugar tudo isso, você vai gastar cerca de 300 reais para se refestelar no Barbacoa do Itaim.
Mas vale a pena?

Vale a pena ir ao rodízio do Barbacoa?
A resposta curta é: vale. A resposta longa é: depende.
A relação custo-benefício em um restaurante é sempre relativa. O Barbacoa entrega quantidade e qualidade no que tange à parte do benefício. Aí sobre o custo, fica a cargo da sua conta bancária. E vale dizer que há churrascarias ainda mais caras em São Paulo.
“E foi bom para você?”, pergunta o caro leitor a este blogueiro. Foi muito bom, com certeza, mas não sou mais O Maior Predador da Terra e nem tenho uma conta bancária cheia de zeros.
Os cortes de costela, a picanha e o cupim estavam realmente espetaculares. O famoso bife ancho com crosta de alho é mesmo delicioso e, ao contrário do que imaginei, não ficou provocando arrotos aromatizados até o dia seguinte.
Não passou nenhum corte no ponto errado ou com a textura equivocada. Os garçons foram precisos nos cortes e imprimiram um ritmo perfeito da churrasqueira à mesa. A farofa de ovo, o vinagrete de cebola e a maionese de batatas brilharam no quesito acompanhamentos. Realmente tudo de ótimo para cima, sem falhas.
O problema não é você, Barbacoa, sou eu.

Frustração com meu próprio desempenho
A memória da juventude, em que eu barbarizava em rodízios de todos os tipos, provocou em mim uma certa frustração com meu próprio desempenho.
Minha previsão era aproveitar as três horas de jogo, dosando as negociações com os cortes de carne e os garçons. Depois de cerca de 40 minutos, porém, eu já estava esgotado. Meu estômago já não aguentava receber mais nada, enquanto o fígado e o intestino já temiam pelo trabalho das horas seguintes. Até o pulmão atuava com dificuldades.
Havia também aquele sentimento clássico, plenamente racional, de que eu precisava fazer jus aos 300 reais investidos. “Vamos dar prejuízo pro Barbacoa, eles vão repensar o modelo de negócios depois da nossa visita”, brincávamos eu e meus dois amigos de mesa, antes de arregarmos cedo demais.
Não vou dizer que isso nunca tinha acontecido comigo antes, seria mentira.
O tempo passa. Eu provavelmente também não consigo mais comer um X-Animal do Rota Lances, em Florianópolis. Sushis já há muitos anos consumo só à la carte. Meia pizza pequena hoje me satisfaz. E agora sei que basta um bom corte e uma farofa bem feita para eu sair feliz e sem palpitações cardíacas de uma casa de carnes.
No fim, o ponto alto do almoço no Barbacoa foi a conversa com dois grandes amigos com os quais não me sentava à mesa há muito tempo. Lutamos contra os nossos limites, comemos boas carnes e demos risadas da nossa saúde decadente, mas ainda segura.
Afinal, quem está nas trincheiras ao seu lado importa mais que a própria guerra.
– Serviço:
Churrascaria Barbacoa Itaim – Rua Dr. Renato Paes de Barros 65, Itaim Bibi, São Paulo (SP) – Abre todos os dias para almoço e jantar – Perfil no Instagram
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