Vou contar um segredo para você, raro leitor: esta é a segunda versão do Blog do Bruno Volpato. Houve outra, em 2007, quando eu estava começando o curso de Jornalismo na UFSC. Ele também usava fonte serifada preta em um fundo branco, tinha poucas imagens e usava um template básico — só que do Blogspot ao invés do WordPress atual.
Como você pode ver no print abaixo, eu não sou muito criativo, mas isso você já sabia porque lê os meus posts.

Essa tela é de administrador do Blogger (ex-Blogspot, o sistema do Google), já que o blog em si não está mais online. Então não adianta procurar os textos daquela época, até porque não valeriam a leitura: eu era um idiota de 24 anos cheio de opiniões e ideias levemente equivocadas. Como você pode ver acima, por exemplo, meu blog tinha uma seção de obituário chamada “Presunto Fresco”. Era o tipo de coisa que eu achava engraçado.
Falando em idiotices, eu escrevia bastante sobre política, principalmente de Florianópolis e Santa Catarina. Eu era jovem e tinha esperanças de ver uma cidade (e um país) melhor.
Eu também escrevia sobre aleatoriedades e esportes, como faço agora. Além disso, tentava parecer inteligente para meus colegas de curso fazendo crítica jornalística, mas felizmente parei com isso aí e com a política.
Relendo os posts agora, porém, uma inquietação me bateu: tive a impressão de que o meu eu idiota de 24 anos escrevia melhor que o meu eu idiota de 43 anos. Por que será?
Mas calma: havia ainda outro blog
Antes de me aprofundar na avaliação da minha qualidade enquanto escritor, eu preciso admitir que havia um outro blog, entre 2008 e 2010, que também está lá nos arquivos do Blogger/Blogspot. E não, não era o Laranjas, esse teve vida longa e mereceu post próprio aqui no atual Blog do Bruno Volpato.
Eu tinha também um blog chamado Música Pra Ler, em que escrevia sobre música, claro. Também andei relendo seus posts recentemente. A descrição dele dizia o seguinte:
“Nada mais que textos com fundo musical. Um conto, uma crônica, uma análise ou apenas uma divagação sobre a canção-título do post. Pode ser o nome, uma parte da letra, a letra toda. Pode ser um momento qualquer. Pode não fazer sentido para quem lê, mas para quem escreve garanto que faz.”
Ou seja, eu já seguia o mandamento de escrever coisas que só interessavam a mim e que, com sorte, interessariam a meia dúzia de leitores — como aqui, neste blog. Ele também era visualmente pobre, embora nesse caso eu tenha tentado a sorte usando cores:

A releitura do Música Pra Ler me colocou em contato com o Bruno apaixonado por música. Era a reta final do entusiasmo com o indie rock dos anos 2000, que inclusive já abordei por aqui no post “Mr. Brightside: invencível, com mais cabelo e um jato de urina forte”. Eu era capaz de escrever vários parágrafos sobre a canção “505”, dos Arctic Monkeys, ou um conto baseado em “Oh my God” dos Kaiser Chiefs.
Eu escrevia com paixão verdadeira sobre música, desde resenhas até histórias de shows em que eu tinha ido. É legal ver que eu retomei um pouco disso no post sobre o show do Oasis em São Paulo, no fim de 2025, em que fiquei muito emocionado.
Fico feliz em notar, também, que a música é um tema recorrente deste blog aqui, tendo até editoria própria, mesmo que os textos não tenham a verve do Bruno entre 25 e 27 anos.
Eu escrevia melhor ou escrevia mais?
Mas será que eu escrevia melhor mesmo? Será que essa verve jovem (mas não tanto) fazia de mim um escritor mais interessante? Eu mesmo respondo: acho que não, era só diferente, ou uma etapa do desenvolvimento que me trouxe até aqui.
Não que esse aqui seja muito longe, afinal sigo escrevendo em algo chamado Blog do Bruno Volpato, mas enfim.
Cheguei à conclusão que tive essa impressão por um motivo bem simples: eu escrevia frases e parágrafos muito maiores nos meus blogs antigos. E, como eles eram de fato bem escritos, bateu esse sentimento de que o (nem tão) jovem Bruno escrevia melhor que o (nem tão) velho eu.
Os parágrafos e frases curtos foram uma adaptação tanto ao jornalismo online quanto ao marketing digital, atividades que exerço profissionalmente há mais de 10 anos. A cartilha do texto para a internet ditava que o leitor médio é burro não tem tempo para ler nada aprofundado, então quanto mais rápido você chegasse ao que interessa, fosse uma notícia ou um botão para entrar em contato com um vendedor, melhor.
É claro que, neste blog, eu recuperei um pouco do meu velho estilo. Os textos aqui são mais soltos e o meu leitor médio, como você, é inteligente. Depois de anos de previsões do tempo, registros policiais e, depois, listas de motivos para mandar e-mails para seus clientes, hoje eu falo sobre coisas que sinto e de assuntos pelos quais me interesso.
Como você pode ver nos dois parágrafos anteriores, também estou tentando escrever frases e trechos mais longos. Vamos ver se eu mantenho padrão daqui para frente.
Ou você prefere coisas mais curtas mesmo? Deixe um comentário e assine o blog ali embaixo!
– Leia também:

Deixe um comentário