Você sabia que existe um tour pela Catedral da Sé, em São Paulo? Pois é, nem eu que moro aqui há mais de quatro anos sabia. Já tinha visto anúncios do brunch da catedral, que é mais caro e inclui um tour, mas nunca dele separado. O Instagram agora deve ter me segmentado como “pessoas que curtem o centro de SP, mas não têm muita grana” e finalmente acertou.
E é bem legal o passeio de duas horas, viu? Já defendi em outros textos deste blog o valor de dar um rolê pelo Triângulo Histórico e suas adjacências, onde São Paulo começou em 1554, então fica aí mais uma atração para tentar te convencer.
Dê uma olhada no vídeo abaixo, que mostra alguns dos destaques do tour pela Catedral da Sé, e depois continue lendo para ver o que eu achei:
Tour da Catedral da Sé começa por baixo, na cripta
A primeira parada é na cripta da Catedral da Sé, onde estão sepultados todos os bispos de São Paulo. É ali que o guia conta a história da igreja, que começou a ser construída em 1912 para refletir o aumento populacional vertiginoso da cidade. Antes dela, havia um templo na outra ponta da praça da Sé, mas já não dava mais conta de tanto católico, ainda mais depois da imigração dos italianos.


A inspiração foi a Catedral de Colônia, por isso o estilo neogótico. Como foi finalizada só em 1954, para o quadricentenário da capital, poderia até ter sido modernista ou brutalista, tendo assim mais a cara de São Paulo.
Brincadeira, é claro, mas esse estilo europeu meio que confunde a cabeça. Inconscientemente, eu esperava me transportar para tempos medievais, mas, por motivos óbvios, logo caí na real. E eu não estava sozinho: um menino no tour inclusive perguntou se algumas peças eram de ouro, ao que o guia respondeu “não, querido, o ouro já tinha acabado no século 20”.


Voltando à cripta, há ainda duas esculturas em mármore e túmulos de três outras grandes figuras nacionais. O destaque é para o Cacique Tibiriçá, o primeiro indígena convertido e batizado pelos jesuítas liderados por José de Anchieta. Ele foi fundamental para a fundação de São Paulo, ajudando a defender a então vila de ataques de outras tribos.
E é basicamente isso o que tem de história com H maiúsculo no tour da Catedral da Sé. Como também disse o guia, “aqui não é um museu, é um lugar sagrado de louvor a Deus”.
A cripta recebe ainda periodicamente concertos de música clássica, aproveitando a acústica perfeita.
Homenagens verdadeiras a Deus e ao Brasil
O passeio pela Catedral da Sé segue pelo altar, que é globalizado: tem mármore amarelo de Siena, mármore de Carrara (ambas na Toscana, na Itália) e malaquita do Congo. Esta última é verde, combinando-se com a pedra vinda de Siena para homenagear o Brasil.
Outra bela homenagem ao Brasil que pode passar despercebida são os ornamentos das colunas da nave da igreja, que têm no topo animais da nossa fauna, como um tatu e um tucano, além de plantas como o café, o guaraná e flores de maracujá. Do lado de fora, ao invés dos gárgulas europeus, bichos como peixes, um sapo e um belo macaco-prego.


Vitrais italianos e franceses completam o cenário com imagens religiosas e também da história, como a primeira missa rezada em São Paulo. Belos mosaicos de São Paulo Apóstolo e Sant’Anna estão nas laterais do altar, à vista dos fiéis.
Mais uma vez lembrei das igrejas europeias e do impacto que elas causam em alguém que não é crente, como eu. Embora mais recente, a Catedral da Sé também foi construída por pessoas que queriam louvar a Deus e expressar isso de forma física. Não eram figuras medievais, mas sim gente que ajudou a construir a grandiosidade da cidade de São Paulo.
Eu acho fascinante isso de dedicar sua vida e recursos a algo maior que é envolto em mistério — no caso, o mistério da fé.
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Parte final do tour com vista da cidade
Depois do altar, subimos um pouco para ver o órgão da igreja, trazido da Itália para a inauguração. São cerca de 10 mil tubos, mas hoje ele está em reformas.
Em seguida, mais escadas até cerca de 67 metros de altura e depois de 250 degraus, onde podemos caminhar no teto da Catedral da Sé. É possível chegar perto das torres e dos sinos e circundar o domo, que tem estilo renascentista.
São caminhos estreitos, mas confortáveis, de onde é possível ver vários ângulos do Centro de São Paulo. É bonito? Não, mas é interessante e desperta a curiosidade do que tem lá embaixo. A praça da Sé, por exemplo, ganha um olhar diferenciado quando vista de cima, impressionando pelo tamanho e criando distância de seus problemas reais.


Mas reforço: o Triângulo Histórico está seguro durante o dia, com muita gente passando e diversas atrações inclusive nos seus arredores. Assim como a Catedral da Sé, não tem glamour europeu algum, mas é onde verdadeiramente se respira São Paulo. O cheiro que vem nem sempre é bom, porém dá para relevar.
E, para completar, antes e depois do tour da Catedral da Sé você pode fazer uma boquinha em vários lugares legais da região. Eu almocei no Pateo Cucina, restaurante sobre o qual falei no meu post sobre cantinas italianas, e na saideira comi um delicioso bolo de bolachas na Maria Cristina Doces, cuja foto usarei para encerrar este post.

Serviço:
– Tour da Catedral da Sé
Quando: segunda a sábado, às 10h e às 14h, e domingos às 12h30 e às 14h.
Valor: R$ 70 (há meia-entrada)
Onde comprar: na própria catedral ou no site iFriend
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