“Dois de Nós”: peça com Fagundes e Torloni faz pensar sobre tempo e amor

Assisti neste fim de semana à peça Dois de Nós, com Antônio Fagundes, Christiane Torloni, Thiago Fragoso e Alexandra Martins. O espetáculo já foi visto por mais de 200 mil pessoas no Brasil e em Portugal, e está de volta a São Paulo. A temporada vai até o dia 17 de maio, no TUCA, teatro histórico da PUC, em Perdizes.

Eu não tenho bagagem cultural para fazer crítica de teatro, mas vou dar a minha opinião, porque é para isso que serve a internet: se puder, vá ver a peça!

Testemunhar ao vivo a atuação de Fagundes é um privilégio. Ele parece não fazer força para atuar, vivendo seu personagem de uma forma completamente natural. Ainda assim, é generoso com os companheiros de cena e não toma totalmente para si os holofotes.

Torloni é outra força da natureza, embora com um estilo de atuação diferente, mais histriônico, por demanda de sua personagem. Ela sim roubava várias cenas, com muito carisma. Ambos são ícones, e é muito legal poder vê-los juntos.

E o texto do dramaturgo Gustavo Pinheiro me deixou boquiaberto. Além da forma como toca os temas sensíveis alternado drama e humor, sobre a qual falarei adiante, me fez pensar o tempo todo “meu deus como eles decoram tudo isso?”

Como eu disse, não sirvo para crítico teatral.

Sobre o que é a peça Dois de Nós

Na peça Dois de Nós, Antônio Fagundes vive Pedro Paulo e Christiane Torloni é Maria Helena, enquanto Thiago Fragoso é Pepê e Alexandra Martins interpreta Leninha. Como dá para perceber pelos nomes e apelidos, são apenas dois personagens, com 30 anos de diferença entre suas versões.

O espetáculo se passa em um quarto de resort, com as versões sessentonas do casal indo descansar após uma festa. A conversa sobre o passado começa, com memórias boas e ruins, até que as personificações deles de meia-idade ganham o palco.

Logo, presente e passado começam a interagir, assim como o drama e o humor. Pedro Paulo e Maria Helena começam a falar sobre o que vai acontecer nas vidas de Pepê e Leninha, ao mesmo tempo em que lamentam ou comemoram algumas dessas escolhas no casamento. Os mais jovens não sabem bem como lidar com o futuro, mostrando ressentimento por atitudes que ainda não tomaram.

Não há momentos de silêncio. O ritmo frenético de risadas e lágrimas me levou junto em uma montanha russa de emoções. Os quatro atores estão brilhantes: Fragoso e Alexandra emulam os trejeitos de seus pares mais velhos, mas sabem deixar de lado o cinismo e o desapego que a idade ainda vai trazer a seus personagens.

A história traz ainda uma série de surpresas e reviravoltas, cortesia do texto de Gustavo Pinheiro. Ela é bonita, é feia, é alegre e é triste, assim como a vida real.

Como eu disse antes: se puder, vá assistir.

Dois de Nós - teatro - Antonio Fagundes e Christiane Torloni
Alexandra Martins, Antônio Fagundes, Christiane Torloni e Thiago Fragoso ao final da peça “Dois de Nós”, no teatro TUCA

E se fosse comigo?

Dois de Nós é uma reflexão sobre a passagem do tempo e o amor, evidentemente. Quem estava na plateia, dependendo da idade, tinha a possibilidade de se identificar com seu presente e seu passado, com seu presente e seu futuro, ou com um meio do caminho.

Eu fiquei pensando no que diria ao Bruno trinta anos mais novo. Não seria nada muito profundo, eu acho. Sugeriria jogar menos videogames, ter menos medo do mundo e, de forma mais específica, participar do programa de teatro no Colégio Catarinense. Acho que teria sido bom para aquele guri tímido de 13 anos.

Mas, sei lá, eu não iria querer alterar minha linha temporal. Sou feliz hoje e, embora não tenha sido sempre, não desejaria criar um efeito borboleta em que eu acabasse não conhecendo a minha senhora. 

“Se essa minha ideia de fazer Jornalismo na UFSC aos 24 anos fosse ruim, o Bruno de 43 anos teria me avisado naquele encontro, certo?”, pensaria o jovem eu. Valeu a pena.

Por outro lado, não tenho ideia de como eu reagiria tendo acesso ao meu de 73 anos. Certamente ficaria feliz em saber que ainda estarei vivo, o que já está de bom tamanho. Inclusive, usando o mesmo raciocínio do encontro reverso, seria uma boa ideia eu não perguntar nada para não correr o risco de mudar isso.

Talvez eu perguntasse se continuei indo a teatros, museus, cinemas, salas de concerto, enfim, lugares em que a arte é experimentada de forma coletiva. Se meu velho eu disse que não, meu eu atual tentaria fazer algo a respeito.

Serviço:

Dois de Nós – Teatro TUCA – Rua Monte Alegre 1024, Perdizes, São Paulo (SP) – Temporada até 17 de maio de 2026 – Quinta e sexta às 21h, sábado às 20h e domingo às 17h00 – Ingressos entre R$ 100 e R$ 350 – Instagram oficial

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Comentários

2 respostas para ““Dois de Nós”: peça com Fagundes e Torloni faz pensar sobre tempo e amor”

  1. Avatar de Claudia Nicolazzi Volpato Andrade
    Claudia Nicolazzi Volpato Andrade

    Fiquei com muita vontade de ver a peça!

    1. Avatar de Bruno Volpato

      Se tiver temporada no Rio não perde, é muito boa a peça!

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