Um passeio pela região da Grande Bocaiúva, no Centro de Florianópolis

Passei alguns dias do fim de 2025 em Florianópolis. Era começo do verão, incluindo a semana entre o Natal e o Ano Novo, quando a cidade começa a lotar. 

Ou não começa? Bem, depende muito de onde você fica. 

Nas duas vezes que fui ao Norte da Ilha, de fato fiquei preso no trânsito e me deparei com todo tipo de muvuca, principalmente na praia dos Ingleses. Inclusive, se você ainda está por aí, fica a dica: é mais rápido chegar em Jurerê dando a volta por Canajurê do que esperando para entrar pela SC-401. De nada.

Dessa vez fiquei na casa da mãe, na Agronômica, mas concentrei meus passeios na avenida Beira-mar e na região que chamo de “Grande Bocaiúva”. Era ali que eu morava antes de me mudar para São Paulo, e que muito antigamente se chamava Praia de Fora.

Pouquíssimos turistas passam por ali, a não ser na noite de réveillon, o que proporciona caminhadas bem agradáveis para quem quer evitá-los. Sim, pois fui embora de Floripa, mas não virei haole.

Assim, trago aqui alguns lugares bem bacanas naquela parte do Centro de Florianópolis para você evitar as multidões e ver o tempo passar devagar em pleno verão.

Nakombi, o meu café preferido de Florianópolis

Eu só tenho uma parada obrigatória quando volto a Floripa: o Nakombi, onde tomo o melhor cappuccino da cidade. Comecei a frequentar o café em 2020, durante a pandemia, já que ele fica em um local a céu aberto. Antigamente, aliás, era literalmente uma Kombi.

Hoje a infra está diferente, mas o que não mudou foi o sabor delicioso das bebidas servidas e a competência e simpatia da equipe, liderada pelo proprietário André. Ainda é bom demais sentar ali nas mesas entre as árvores do jardim do Complexo Oswaldo Cabral, na rua Esteves Júnior, e degustar um café enquanto saboreio o clássico bolo de fubá com goiabada deles.

Nakombi Café Centro de Florianópolis
Sério, é o melhor cappuccino que já tomei

No mesmo terreno fica uma bela casa construída nos anos 1940, tombada já há mais de 35 anos, que preserva um pouco da história local e encanta adultos e crianças com o passado.

E ainda tem aquela coisa típica da Ilha: eu sempre encontro alguém conhecido ali, o que rende um bom papo. Saio sempre com um pacote do café torrado na unidade de Canasvieiras do Nakombi para trazer um pouco do sabor de Floripa para São Paulo.

NKMB Coffee Co– Rua Esteves Júnior 546, Centro, Florianópolis (SC) – Abre de segunda a sábado, das 9 às 18h – Perfil no Instagram

Casa Hurbana, um combo de clássicos da Grande Bocaiúva

As “mercadotecas” são um modelo de sucesso em Florianópolis. Muita gente não sabe, porém, que tem uma na rua Bocaiúva desde o ano passado. Os estabelecimentos ali presentes são verdadeiros clássicos: Emporium, Chuvisco, Boteco da Ilha e Ene, este último uma versão expressa do Nipô, o melhor sushi da Ilha.

Eu estou sempre por ali degustando os salgados e doces ortodoxos da Chuvisco — que são os mesmos há uns 25 anos, mas entregam sabor e qualidade sempre — com um cappuccino ao estilo que o meu pai gostava. O chopp gelado, os petiscos e o sanduba de costela do Boteco são ótimos para um happy hour. E experimente o tamagô do Ene, que traz quatro sashimis de salmão maçaricados em cubos com mini omeletes cremosos por cima.

Na última vez que estive lá, estava para abrir uma unidade da sorveteria Cocota, outro clássico do Centro que existiu nos anos 80 e 90.

De quebra, você ainda pode cruzar com os tradicionais frequentadores do Emporium Bocaiuva, um dos bares mais longevos da cidade: a galera old money de Floripa, que curte tomar um bom vinho e tirar fotos para a coluna do Cacau Menezes.

Casa Hurbana – Rua Bocaiúva 2013, Centro, Florianópolis (SC) – Abre todos os dias das 9 às 23h (horários individuais variam) – Perfil no Instagram

Foppa Gelato, sorveteria artesanal na Travessa Harmonia

Falando em sorvete, neste final de ano fui conhecer a Foppa Gelato, achando que tinha acabado de abrir. Na verdade, a sorveteria artesanal já está funcionando desde abril de 2024. Peço desculpas pelo vacilo de não ter ido antes.

Se você estiver dando um rolê pelo Centro de Floripa nesse calorão de verão, passe por lá e peça os sorvetes de torta de limão e o delícia de morango. Este último vem com uma cobertura de beijinho sobre o clássico sabor de frutas com leite. Há ainda várias outras boas opções. 

O local tem mesas no segundo andar e duas mesinhas externas na Travessa Harmonia, outro pico gastronômico tradicional da Grande Bocaiúva. 

Se ainda sobrar espaço para mais açúcar no sangue depois da Foppa, passe na La Mia Dolce Vita Pasticceria, do outro lado da rua, e leve para casa um pacotinho de palhas italianas ou a inacreditável torta mousse de chocolate com doce de leite.

Foppa Gelato – Travessa Harmonia 50, Centro, Florianópolis (SC) – Abre todos os dias do meio dia às 21h – Perfil no Instagram 

Caminhadas na Beira-mar e sentadas nas pracinhas da Bocaiúva

O calçadão da avenida Beira-mar Norte faz parte da Grande Bocaiuva, ao menos o trecho entre o Beiramar Shopping e a Smart Fit, onde hoje os jovens malham, mas antigamente bebiam e se queriam no El Divino, no Café Cancun ou na Dizzy, dependendo da geração.

Uma caminhada na orla da baía norte é uma ótima pedida, ainda mais se você for até a curva final para ser brindado com a aparição da Ponte Hercílio Luz.

A calçada interna da avenida também é boa para uma caminhada, ainda mais nesse calorão, já que os prédios proporcionam sombra durante as manhãs. E é por ali que você vai encontrar as simpáticas praças Esteves Júnior e dos Namorados. Em ambas dá para sentar nos bancos para degustar um sorvete e ver o tempo passar.

A Praça dos Namorados, com o prédio em que morei ao fundo

Eu tenho uma ligação sentimental muito forte com a Praça dos Namorados, já que morei no prédio ao lado entre 1992 e 1994, quando cheguei em Floripa vindo de Londrina (PR), e entre 2013 e 2022, quando fui embora da cidade rumo a São Paulo. Foi ali que eu e minha senhora começamos a nossa vida juntos.

E, a Manu também brincava naquela pracinha em 1994. Como é bem mais nova que eu, gostamos de imaginar que enquanto eu jogava bola com a molecada, ela estava com o pai correndo na ponte do parquinho. A gente deve ter se ignorado, claro.

Em 2025, vendemos o apartamento que estava com a nossa família há quase 40 anos. Foi um momento de forte emoção em um ano de despedidas. Até por isso, toda vez que volto, paro o carro ali no Largo São Sebastião e vou dar um rolê. Daí pego uma empadinha de palmito do Angeloni e sento ali na pracinha para respirar saudades.

Mas você não precisa de uma conexão emocional para curtir a Grande Bocaiúva. Dê um passeio por lá e aproveite Florianópolis de um jeito diferente, bem mais calmo.

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11 respostas para “Um passeio pela região da Grande Bocaiúva, no Centro de Florianópolis”

  1. Avatar de Leo
    Leo

    Muito bacana, meu caro! Também sou fã dessas caminhadas saudosistas. Eu sempre ficava imaginando que morar ali do lado da Praça dos Namorados deveria ser bem bacana, principalmente se você estuda (ou tem filhos que) no CEMJ ou CC. Fico feliz que o local te traga boas lembranças.

    Vou experimentar o Nakombi da próxima vez que deixar o Theo na escola, obrigado pela sugestão!

    1. Avatar de Bruno Volpato

      Eu estudei em ambos, mas as memórias mais felizes de fato são as mais recentes, quando morei lá com a Manu. 🙂

      Espero que você goste do Nakombi, além do cappuccino as comidinhas também são muito boas!

  2. Avatar de Ju Tubino
    Ju Tubino

    A beiramar eh tudo de bom!!! Tb tenho uma relação emocional por ali, nostalgia de rd e novotel… desde então já mudou gente pra sp, já mudou gente pra Floripa, e o mundo seguiu girando. To me achando manezinha depois de ler seu post e bater algumas metas ali.

    1. Avatar de Bruno Volpato

      Eu te concederia o green card manezinho, Ju, mas infelizmente sou gaúcho, então tecnicamente não tenho esse poder! Hahaha.

  3. Avatar de Marlene
    Marlene

    Também tenho uma ligação afetiva com a Bocaiuva. Com seu tio e filhos, passamos um lindo Natal com seus pais e família antes de você nascer, no AP da Bocaiuva. Mais recentemente, de uns dez anos para cá, é no Blue Tree (Bocaiuva)que nos hospedamos a cada 6 meses em visita à família. Nossas refeições são no Mercado São Jorge ou no Restaurante Central Bocaiuva. Boas refeições saudáveis e ótimo atendimento dos funcionários.

    1. Avatar de Bruno Volpato

      Que legal que pudemos passar novamente um Natal juntos agora em 2025, tia! E eu também gosto muito do Mercado São Jorge, ia bastante lá. 🙂

  4. Avatar de Patricia Nicolazzi Volpato
    Patricia Nicolazzi Volpato

    Adorei !
    Boas memórias da região da Bocaiuva, o apto da nossa família na época do Colégio Catarinense, nos anos setenta, depois na faculdade nos oitenta, meu primeiro escritório de arquitetura, meu primeiro apto próprio, tudo na região.
    Sempre bom almoçar, tomar um café ou circular por ali pra matar as saudades !❤️

  5. Avatar de Edite Barbosa
    Edite Barbosa

    Vivi muitos anos fazendo esse trajeto, não porque morasse por lá – não cabia no nosso bolso – mas por trabalhar lá. E minha memória afetiva desse caminhar por aí está ligada à mãozinhas dos meus filhos, agarradas à minha e ao abraço ao carvalho centenario no início do largo São Sebastião. Ao abraçá-lo sentia que tocava o céu através de sua copa, a humanidade, através de seu tronco, e a terra, através de suas raízes.
    Ainda existe esse carvalho, Bruno? Me conta se sabes ou andas por lá.

    1. Avatar de Bruno Volpato

      O tronco ainda está lá, com os galhos renascendo após terem sido completamente podados alguns anos atrás. A maior árvore da Praça dos Namorados, que trazia sombra para metade da área, caiu em um temporal em 2017. Eu estava em casa e achei que um prédio tinha desabado, de tão alto que foi o estrondo.

      Era uma figueira plantada “dentro” de um daqueles bancos da praça (por uma antiga moradora do meu prédio, inclusive), então as raízes não tinham espaço suficiente para crescer. Mesmo assim, ela durou mais de 20 anos. Saiu inclusive matéria no jornal na época, com foto e vídeo que eu fiz logo depois que ela caiu. Nunca mais replantaram, e nem a outra árvore que ficava ao lado e também caiu, então a pracinha ali infelizmente hoje é um forno a céu aberto no verão.

      O link da matéria no ND: https://ndmais.com.br/noticias/tempestade-derruba-figueira-na-praca-dos-namorados-no-centro-de-florianopolis/

      1. Avatar de Edite Barbosa
        Edite Barbosa

        Obrigada, menino lindo. Vou lá ler.

  6. Avatar de Claudia Volpato Andrade
    Claudia Volpato Andrade

    Amei, Bru.
    Quanto amor e quanta saudade!

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