Se você gosta de futebol antigo, a internet é um prato cheio. Milhares de perfis nas redes sociais servem um buffet livre, completo e pouco saudável de vídeos de todas as eras do maior esporte do mundo. É possível perder horas revendo grandes dribles de Ronaldo Fenômeno pela Inter de Milão, as melhores defesas de Gigi Buffon pelo Parma ou todos os gols da Copa de 1978.
Sim, eu já vi tudo isso, e poderia citar outras dezenas de exemplos estranhos. Só não me peça para compactuar com montagens, feitas por jovens, da Seleção da Copa de 2006 com legendas do tipo “da época que o Brasil era respeitado”.
Você, que é leitora ou leitor fiel deste blog, já sabe que eu culpo aquele time pelo 7 a 1 e pela frustração contínua que virou o nosso escrete nacional.
A maioria desses vídeos, porém, não tem produção nenhuma. Costumam ser um amontoado de lances com edição meio porca, sem nenhum contexto ou explicação de quando ocorreram os gols, lances e tudo mais.
Eis que surge, no meio de uma sessão de binge watching de YouTube, provavelmente após eu ver algo do tipo “Todos os gols de Romário no PSV Eindhoven”, o canal Por Onde Andrey, do jornalista Andrey Raychtock.
Obrigado, algoritmo!
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Uma ótima descoberta, graças a Renato Gaúcho
O algoritmo do YouTube é muito bom. Ele provavelmente entendeu que eu sou maluco por futebol semi-antigo e que sou gremista, mas que, apesar disso, tenho um gosto por produções audiovisuais mais elaboradas.
Assim, ele me sugeriu o vídeo abaixo, intitulado “A peculiar passagem de Renato Gaúcho na Roma, da Itália”:
Se você tem a mesma doença que eu tenho, sei que parou de ler o texto para assistir ao vídeo, e não o culpo por isso. Mas que bom que você voltou.
O trabalho de Andrey de resgate de reportagens daquela temporada de 1988-89, tanto de jornais brasileiros quanto italianos, é sensacional. Todo o drama de Renato Portaluppi, que saiu do Flamengo sendo dono do Rio de Janeiro para passar vergonha no clube da Cidade Eterna, é contado em apenas 15 minutos, com uma edição formidável e focada nos detalhes mais importantes.
Andrey conduz a história com um tom tranquilo e bem humorado, muito diferente da histeria habitual das narrações ligadas ao futebol atual.
E as imagens da época ainda despertam a memória. Eu, maluco que sou, lembro da edição da revista Placar de onde saiu aquele recorte ali em cima, em que Renato diz que o futebol italiano era ridículo. Eu tinha essa Placar, é óbvio.
Claramente é o tipo de conteúdo que eu gosto.
Grandes temas do futebol, focados em malucos como eu
Ao fim o vídeo sobre Renato “Gaúcho” Portaluppi, nada mais apropriado que o YouTube me sugerir algo ligado aos antigos Mundiais de Clubes disputados em jogo único no Japão, certo?
Certo! E o Andrey Raychtock tinha publicado um dossiê sobre algo que eu sempre quis saber, mas nunca tive para quem perguntar. Sempre não, vai, provavelmente eu não pensava nisso desde os anos 90, naquela maldita final contra o Ajax em 1996.
Enfim, ele fez um vídeo explicando o que era barulhinho no fundo das transmissões de jogos feitas diretamente do Japão. Sim, aquele bem agudinho e constante, você que é maluco certamente sabe.
Você também não quis sempre saber do que se tratava? Eu sei que sim! Então veja o vídeo abaixo:
O mais incrível é que ele lembrou de outra coisa de maluco para botar no vídeo: os jogos de videogame japoneses também tinham esse barulho. Mais uma vez a nostalgia foi acordada com sucesso.
E não perca o momento em que o jornalista testa uma cornetinha original do Japão dos anos 90, que comprou pela internet. É de se emocionar, amigos.
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A paixão de Andrey Raychtock por temas canônicos do doido por futebol
O canal Por Onde Andrey se destaca por abordar temas formadores de caráter do doido por futebol. Eles vêm especialmente do final dos anos 80, dos 90 como um todo e de até meados dos anos 2000, quando o encanto da bola, ao menos para mim, começou a se perder.
Não são os assuntos mais relevantes da história do esporte mais importante do mundo. Mas são os que fazem parte do cânone de quem viveu intensamente aquela era de ouro para a diversão no futebol brasileiro.
Veja alguns exemplos:
- A frustrante passagem de Falcão (do futsal) pelo São Paulo
- O ano dos Bad Boys: Romário, Edmundo e as confusões do Flamengo de 1995
- A incrível passagem de Vanderlei Luxemburgo pelo Real Madrid
- A aventura inglesa de Felipão no Chelsea
- A interatividade louca do Disk Marcelinho Carioca
Ah, é Edmundo!
São temas que vivem na essência vital do fã das boas histórias ludopédicas. A produção mais recente de Andrey é uma das que mais curti: a rápida e memorável passagem de Edmundo, o Animal, pela Fiorentina.
Como contei no post sobre meu pai, o Vasco faz parte da minha história. Foi o meu segundo time até o fim dos anos 90. Por isso, Edmundo, que deu o título brasileiro ao time carioca em 1997, foi um dos meus ídolos. Assim, acompanhei fervorosamente sua passagem pela Viola.
Eu não perdia um jogo daquela camisa violeta maravilhosa, usada por Rui Costa, Gabriel Batistuta e, claro, pelo Animal.
O vídeo mostra bem a montanha-russa que foi aquele ano e meio, com a imaturidade do jogador brasileiro impedindo-o de entrar para a história do futebol europeu. Ele tinha, por exemplo, licença oficial para deixar a Itália e ir curtir o carnaval carioca. Era inacreditável.
Andrey conta bem como tudo isso aconteceu, não deixando de mostrar que Edmundo jogou uma barbaridade no período. Se você é doente como eu, vai reviver a dor de imaginar tudo o que poderia ter sido, mas não foi. Assista:
Andrey na ge tv, nova iniciativa da Globo no YouTube
Além das maluquices próprias, o Andrey Raychtock também está produzindo vídeos para a ge tv, incursão da Globo no mundo do YouTube. Lá, a pegada é mais de “futebol alternativo” e tem produções mais curtinhas, mas também está bem legal e com muita coisa interessante.
Edmundo é um que dá as caras por lá, no vídeo que conta a história de um dos maiores clássicos do cancioneiro popular futebolístico brasileiro: o “Rap dos Bad Boys”. Os anos 90 eram incríveis!
Outro que curti assistir foi sobre a musiquinha da Globo para a Seleção Brasileira. Aquela, “eu sei que vou, vou do jeito que eu sei, de gol em gol, com direito a replay”, que toca em versão instrumental depois dos gols canarinhos.
Pois bem, ela se chama “Coração Verde-e-Amarelo” e foi composta por Aldir Blanc e Tavito. Dá uma olhada, para encerrar este post em grande estilo:
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